segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Biblioteca de Fernando Pessoa online

Casa Fernando Pessoa


Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão disponíveis gratuitamente online no site da Casa Fernando Pessoa.

Até agora, só uma visita pessoal à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia consultar este acervo que é riquíssimo.

Entretanto, com a inauguração do site, bilingue (português e inglês), em qualquer lugar do mundo, através da Internet agora é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes do acervo da biblioteca, além das anotações - incluindo poemas - que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros.

É uma oportunidade maravilhosa que se descortina para os amantes do venáculo luso.

Bom Proveito!

Cordial abraço,


Kleber Siqueira

domingo, 7 de novembro de 2010

De São Paulo a Houston, via Dubai


Na madrugada de uma sexta-feira, iniciei uma longa viagem de regresso desde São Paulo até Houston, com escala em Dubai... Dá para imaginar uma viagem como essa...?

Isso aconteceu porque como estava voando pela Emirates, tendo partido originalmente dos EUA para a Arabia Saudita e não era viável, em termos financeiros, retonar a Houston direto de São Paulo voando com outra companhia aérea. Mas, enfim precisava ir a São Paulo e assim não tive outra alternativa a não ser enfretar essa maratona aérea. Cheguei em São Paulo, vindo de Dubai com o vôo EK 261.

Antecedendo esta longa viagem de volta, estive na casa do Junior e Débora para alguns momentos de confraternização familiar. Ambos se desdobraram em proporcionar a mim e a Maria Lucia uma super recepção e apôio durante aquela minha curta estada no Brasil. Thanks!

O voo EK 262 partiu de Guarulhos às 0130. Este vôo tem uma duração estimada de 15h e percorre cerca de 12200 km.

A primeira etapa foi cruzar o Atlantico Sul desde Vitória até a cidade de Luanda, Angola. Esta etapa tomou cerca de 6h. O Atlantico Sul é realmente muito grande e assustador.

Luanda, Angola

Deixando Luanda para trás, enfrentamos um longo trecho sobrevoando a Africa, o Continente Negro, em direção a Adis Abeba, Etiópia.

Foram outras 6h sobrevoando o imenso território africano. Antes da Etiópia sobrevoamos o Congo, a Tanzânia, o Quênia, e o Djabouti.

Claro que a minha imaginação estava trabalhando fértilmente, visualizando mentalmente, pelo GPS e camaras de bordo, aqueles países tão exóticos para mim.

Os sons e as imagens de Africa, esse colosso continental, que povoavam a minha mente viajavam mais rápido que os 900km por hora a 10.000m de altitude do B-777-220 da Emirates, me lembravam os filmes e os documentários da televisão e os muitos livros e gibis que havia lido na minha infância e que permanecem m vivos em minha mente. Quem não se lembra das aventuras de Tarzan, do menino Mowgli, do Fantasma que anda, Mandrake..., bem acho que os mais velho talvez se recordem... :)

Tudo isto colaborou enormemente para tornar mais suportavel a longa viagem que ainda tinha pela frente até chegar em casa na distante Houston, no estado do Texas. Exercitar a imaginação sempre foi para mim algo agradável... e dessa vez estava ajudando bastante!

Adis Abeba, Etiópia

Ao sobrevoarmos Adis Abeba, lembrei-me de uma história sobre as habilidades e intuição política do presidente Juscelino Kubischeck, excepcionalmente úteis e bem aplicadas quando recepcionou o Imperador Haile Selassie que visitava o Brasil em missão diplomática oficial. A visita do Imperador Selassie foi um evento memorável e que estava "guardado" em algum posto da minha memória...

O Imperador Selassie, na noite em que jantava em Palácio com o Presidente Juscelino, recebeu a informação de que havia sido deposto por um golpe de estado liderado pelo seu próprio filho. O Imperador não se perturbou, continuou normalmente o jantar e a conversar com o seu anfitrião como se nada houvera ocorrido.

Entretanto, como estava "alijado" do governo, Selassie ficou sem recursos para voltar à Etiópia. Nos dias subsequentes, o imperador deposto pediu o aval do governo brasileiro para efetuar o pagamento de um cheque dele no valor de 100 mil USD emitido com a finalidade de pagar os custos de fretamento de um avião para voltar, com a sua comitiva, à Etiópia. Garantia o imperador deposto que a referida importância seria restituida tão logo estivesse de volta ao poder.

O presidente Juscelino percebendo a "saia justa" que estava ocorrendo com o funcionário minesterial encarregado da autorização de pagamento do cheque, decidiu intervir pessoalmente e avalizou ele mesmo o cheque. Desse modo o então imperador deposto e sua comitiva voltaram para a Etiópia onde depois de pouca resistência reassumiu o seu cargo e voltou ao comando do Etiópia.

Entre outros feitos daquela tumultuada e vitoriosa volta ao seu País, o Imperador Selassie após reassumir as suas o seu cargo, castigou o filho rebelde e traidor em praça pública, com uma serie de chibatadas.

Juscelino, indagado pela sua assessoria se não estaria temeroso de avalizar um cheque "borrachudo" de um ex-imperador, alegou que seria mais barato e menos problemático politicamente se o Imperador permanecesse com a sua comitiva no Copacabana Palace por um tempo indeterminado, ainda mais na condição de convidados oficiais do governo Brasileiro. Em outras palavras, em alguns dias mais dessa comitiva no Brasil o prejuizo oficial seria muito maior financeiramente. E havia o risco político de manter no país um imperadir deposto. Pesado tudo isso, disse Juscelino,seria mais barato correr o risco do "calote". E de fato o calote não ocorreu...

Curiosidade... anos mais tarde o Imperador foi deposto por outro golpe de estado. Assim caminha a humanidade... Nada de novo sob o escaldante sol tropical...!

Mapa do Oriente Médio

Nas horas restantes daquele vôo a rota traçada cruzou as águas do Mar Vermelho (uau! a bíblica travessia do mar vermelho me veio de imediato a mente, mas tais fatos ocorreram, em local não muito distante da onde sobrevoavamos, ao norte na fronteira con o Egito...) e entramos em território do Iemem e a seguir da Arabia Saudita para, finalmente chegar a Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Chegar em Dubai à noite ou de dia é algo espetacular! Realmente, Dubai é uma das principais atrações do Oriente Médio com a sua beleza ofuscante e opulência sem limites.

Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Dubai, Emirados Árabes Unidos.


Dubai, Emirados Árabes Unidos.


Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Em outra "blogada" comentarei um pouco das minhas visitas e estadas em Dubai. Aguardem!

Neste ponto, com a escala em Dubai, a viagem de regresso a Houston foi interrompida para uma noite de descanso no Dubai International Hotel, situado entre o Terminal 3 e o 1 do Aeroporto Internacional de Dubai.

A segunda parte da viagem, Dubai para Houston, foram outras 16h com muita geografia e diferentes países. Nesta etapa a rota do voo EK 211 foi via polo Norte!

Sobrevoamos primeiramente o Golfo Pérsico,passando por Doha e por Bahrain, a seguir entramos pelos desertos do norte da Arabia Saudita, passando pela Jordânia, Síria, Líbano.

Seuindo em direção ao Leste Europeu, passamos por Instambul, Hungria e outros países da região.

A seguir rumamos para a Dusseldorf e Holanda. Cruzamos os ares da Escócia, Inslandia, Groelandia, Canada,e, finalmente, entramos nos Estados Unidos rumo sul até o destino final em Houston.

Chegamos no Aeroporto Internacional George Bush às 1611 do Sábado, 21 de Agosto, após esta quase "uma volta ao mundo em 40 horas".

Impressionante a tecnologia, a segurança e o conforto oferecido pela industria aeronáutica com aviões do porte do B777-200LR.


Kleber em visita a torre mais alta do mundo, em Dubai.

sábado, 4 de setembro de 2010

Grand Mosque Abu Dhabi


Compartilhando algumas imagens da Grande Mesquita Sheikh Zayed, em Abu Dabhi, onde estive no dia 6/8/2010.
É um lugar de uma beleza única e de uma grandiosidade ímpar.







quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Vamos tomar um café juntos?

Com Papai, na Ponta da Praia - Santos, SP



"O único modo para ter um amigo é ser um amigo".
Ralph Waldo Emerson





Dias atrás recebi um e-mail com uma mensagem nos despertando para a importancia de reservar um tempo para cultivar as nossas amizades. Passamos horas e horas fazendo as mais diversas coisas, especialmente aquelas que precisamos e gostamos.

Resolvi então olhar o assunto um pouco mais de perto. E, claro, trocar uma idéia com você, meu amigo e minha amiga...

Falo por mim, já vou deixando claro...! Mas se você concordar e até acrescentar, será melhor ainda.

Dentre as que gostamos, algumas delas temos dificuldade de realizar. Por exemplo, mandar um e-mail especialmente escrito para um amigo é tarefa fácil.

Ou melhor, é e não é!

Quero dizer...

...depende!

Se for um simples repassar de e-mail é fácil. Apenas eliminar endereços anteriores e selecionar para quem irá ser encaminhado como bcc ou co (cópia oculta...)

Agora escrever um texto especial é um pouco mais dificil. Requer um motivo pois, na maioria das vezes, só o "simples" motivo de amizade não é assim tão motivador...

Hummm...

Ah, já sei! Aniversários! É isso!!!

Caramba, pensando melhor sabe que não sei as datas de aniversário da maioria dos meus amigos (xiii, nem mesmo da maioria dos parentes mais próximos...)!

Bem, a vida é tão corrida, sabe como é, né?

Montar uma agenda não é assim tão simples... Na próxima virada de ano uma das minhas metas pessoais - prioridade "zero" - será começar um tremendo agendamento. Todos os aniversários devidamente inseridos no calendário do Google ou no do Yahoo ou quem sabe no meu futuro smart phone ou tablet!

Ta bem, va lá, que seja...

Pode ser na minha agendinha de bolso ou de mesa mesmo...!

OK. Pensando bem, quem sabe telefonar para bater um papo com um amigo de vez em quando acho que será mais fácil... Não precisarei da tal agenda. Mas, tem um probleminha: qual o melhor horário e, pior ainda, o preço do minuto não está biscoito não...

Bom, de qualquer modo é apenas uma questão de escolher o como e um pouco de organização!

Visitar? Aí fica realmente bem mais dificil. A logistica, o dia, o horário... esta vida moderna é fogo!

Aí, nestas alturas, você pode estar pensando, e a tal mensagem que despertou todo este blá, blá, blá? Onde está? E o convite para o tal cafézinho?

Bem, então aí vai ela (a tal mensagem):

"Um professor, diante de sua classe de filosofia, sem dizer uma só palavra, pegou um pote de vidro, grande e vazio, e começou a enchê-lo com bolas de golf.

Em seguida, perguntou aos seus alunos se o frasco estava cheio e imediatamente todos disseram que sim.

O professor então pegou uma caixa de bolas de gude e esvaziou-a dentro do pote. As bolas de gude encheram todos os vazios entre as bolas de golf.

O professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio e voltou a ouvir de seus alunos que sim.

Em seguida, pegou uma caixa de areia e esvaziou-a dentro do pote. A areia preencheu os espaços vazios que ainda restavam e ele perguntou novamente aos alunos, que responderam que o pote agora estava cheio.

O professor pegou um copo de café (líquido) e o derramou sobre o pote umedecendo a areia.

Os estudantes riam da situação, quando o professor falou:

"Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas. As bolas de golf são os elementos mais importantes, como Deus, a família e os amigos.

São com as quais nossas vidas estariam cheias e repletas de felicidade.
As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho, a casa bonita, o carro novo, etc...

A areia representa todos as pequenas coisas. Mas se tivéssemos colocado a areia em primeiro lugar no frasco, não haveria espaço para as bolas de golf e para as de gude.
O mesmo ocorre em nossas vidas.

Se gastamos todo nosso tempo e energia com as pequenas coisas nunca teremos lugar para as coisas realmente importantes. Prestem atenção nas coisas que são primordiais para a sua felicidade.

Brinquem com seus filhos, saiam para se divertir com a família e com os amigos, dediquem um pouco de tempo a vocês mesmos, busquem a Deus e creiam nele, busquem o conhecimento, estudem, pratiquem seu esporte favorito...

Sempre haverá tempo para as outras coisas, mas ocupem-se das bolas de golf em primeiro lugar.

O resto é apenas areia."

Um aluno se levantou e perguntou o que representava o café.

O professor respondeu:

"que bom que me fizestes esta pergunta, pois o café serve apenas para demonstrar que não importa quão ocupada esteja nossa vida, sempre haverá lugar para tomar um café com um amigo".


Caro amigo, tenha um excelente e abençoado dia.

Se possível , programe-se para escrever um e-mail para um amigo, telefonar para outro, visitar os que estiverem mais próximos (especialmente os idosos e os enfermos) e, mais importante,

ore por todos êles!

Estarei aguardando com muita emoção o dia em que novamente poderemos tomar um cafezinho juntos, após um delicioso almoço ou jantar e celebrar mais uma vez a nossa amizade.

Meu abraço afetuoso para você, meu especial amigo,


Com Kleber, em Brasília, DF

domingo, 15 de novembro de 2009

15 de Novembro de 1889 - 120 anos de República

Proclamação da República do Brasil

Lendo os jornais deste domingo e navegando em alguns websites, a sensação que senti foi que a data passou realmente em branco...

Parece-me que os assuntos republicanos em pauta nos jornais e no dia-a-dia do nosso povo são muito mais urgentes e importantes do que lembrarmos que um dia ela foi proclamada...

Temas de aparente extraordinária relevância estão na pauta de frenéticos e-mails repassados à exaustão e nos jornais mais respeitados do País, abrangendo uma gama de assuntos, tais como: Apagão, extradição, Honduras, Currículum Vitae de Candidatos à Presidencia da República, intrigas da oposição, visita de um Presidente estrangeiro, Pré-Sal, soberania sôbre a região Amazônia, papel das Forças Armadas, etc, etc... Realmente, todos assuntos de extraordinária relevância.

Quanto a preservar o conhecimento dos diversos aspectos e circunstâncias dos fatos de nossa história, parece-me que estamos em um processo de perda de memória ou de mudança de identidade.

Talvez em mais alguns anos teremos a surpresa, e o dissabor, de verificar que poderemos ter "perdido por completo o fio da meada", isto é, poderemos ter perdido as referências de nossas origens e história. Caso tal hipotética situação ocorra, será algo interessante e exótico, pois poderemos vir a nos transformar em herdeiros da República de São Bernardo..., ou refundadores da Pátria ou, ainda, tardios mas valentes e indômitos Bolivarianos... , ou, quem sabe, galhardamente demonstraremos nossa liderança regional ao substituirmos o vernáculo por outro mais coerente com as novas "tradições"... É um processo demorado, mas com persistência e tenacidade pode ser realizado com êxito. Depende exclusivamente das lideranças que ocupam as posições chave da nação.

Quanto à República, quais foram mesmo os motivos e justificativas para a sua "proclamação"?

Recuperando um pouco a memória a respeito deste, digamos, relativamente importante evento Pátrio, segue um link sobre o assunto.

CLIQUE AQUI

Como será que um movimento desta natureza seria recebido nos dias de hoje?

De qualquer modo, creio que devemos celebrar a data, certo? Então,...


... Salve a República do Brasil!

Cordialmente,


sábado, 7 de novembro de 2009

POEIRAS DE BRANCO











CONVITE

Alberto Sergio C. Pierro

APML – Cadeira No. 08



Romance, tendo um neurocirurgião em um grande Hospital como personagem central da história . Os casos relatados (casos clínicos) são verídicos, todo o resto é ficção.


Cocktail de lançamento do livro "Poeiras de Branco", próximo dia 23/11, às 19:30 hrs.

Local: Rua Eduardo Monteiro, em Santo André. (uma uma travessa da Av. Portugal, uma rua antes do Franz Café. maiores detalhes, por favor, contate o Ir. Pierro por e-mail

O Viralata










Sei que nunca fui poeta,
Muito menos escritor,
Mas pra contar essa história
Desse cão que conheci,
___ Tinha o corpo todo branco,
tinha o rabinho cotó,
na cabeça a mancha escura
que lhe cobria as orelhas___
Minha gente eu me arrisquei
A passar qualquer vexame
Pra deixar aqui gravada
A história do “Totó” !

O escarcéu era enorme
E maior ainda a sujeira.
O odor que exalava
Impregnava as narinas,
E a impressão era medonha.
Tudo era grande, era enorme,
Era no superlativo.
Tudo, menos o autor
Pois não é que o estardalhaço
Vinha de uma brincadeira
De um trigueiro viralatas.

Tinha o olhar matreiro,
Sobre as patinhas traseiras
Sentado, a abanar a cauda,
O cão se divertia ao ver
Tanta coisa ao seu redor
Pelo chão esparramada.
Desapontado, embora,
Pois que não encontrara
Uma coisa só que servisse
Pra saciar a sua fome...
Apenas lixo e sujeira.

Mas o seu olhar criança
Não se deixa apagar,
Que ainda tem esperança
De alguma coisa encontrar.
Uma pulga atrás da orelha
Atrevida a lhe coçar,
Uma ferida em sua pata
Que insiste em incomodar
Não são motivos para o cão
Na vida não acreditar,
E ainda se alegra a brincar.

Uma senhora que passa
Vendo a sujeira da rua
E o viralatas maroto
Ao lado, a se espreguiçar,
Não disfarça sua ira.
Numa explosão bem humana,
O nojento animal
Ela decide expulsar.
E o cão, pobre coitado
Sua área de folguedos
Se vê obrigado a mudar.

Descendo a rua, contente,
Um garoto de família
___ gente bem, da sociedade ___
Vem chutando uma latinha,
Despreocupado, a cantar,
E o cãozinho, esperançado,
Vê uma nova brincadeira,
Novo amigo a conquistar.
E lá vai ele, todo aceso,
Rápida a cauda abanando,
E a latinha vai buscar.

“Sai pra lá, seu viralatas,
Cão vadio e até sarnento,
Deixa em paz minha latinha
Que quero, sozinho, chutar.”
E o cãozinho, cabisbaixo,
Uma outra brincadeira
Decide-se a procurar.
Mas sua tristeza é fugaz,
De novo a cauda balança,
É que ele viu a criança
A latinha abandonar.

E lá se vai o maroto
Atrás da latinha outra vez.
Mas não é que o garoto
Fez aquilo de propósito
Só pra dar uma pedrada
No ousado viralatas
Que sua nobre brincadeira
Intentara interromper;
E o cãozinho, atordoado,
Com maltrato acostumado,
Vai-se embora avergonhado.


Mas sua ira passa logo
Que de novo o menino
Um gesto amigo lhe acena
Tendo ao lado um companheiro.
E lá se vai o cachorrinho
Iludido de que, agora,
O brinquedo é pra valer
Mal sabendo, no entanto,
Que a intenção dos meninos
Embora lhe acenassem,
Em nada tinham mudado

E o pobre cão viralatas
Virou o centro do mundo
Nessa infernal brincadeira;
Pois não é que lhe amarraram
À cauda aquela latinha
E ainda por cima acenderam
Assustadora bombinha
Da qual o forte estampido
Em meio às gargalhadas
Se misturou aos ganidos
Do apavorado cãozinho.

Em apressada carreira,
Lamentando sua sorte,
Desceu o animal a ladeira
Acabando por perder
Na corrida, a latinha;
Mas eis que, sem dó, o barbante
Que lhe amarraram na cauda
Os dois travessos meninos,
Sangrar a pele lhe fez,
Mas, bastaram umas lambidas,
Pra o assunto ele esquecer.

Alerta, de orelha em pé,
Ouve o grito de um moleque,
O barulho de uma bola,
E lá se vai o maroto
Co’a molecada brincar.
E a história se repete
Sendo, a bola, o viralatas,
Que a garotada sem dó
Não cansava de chutar,
Enquanto o pobre coitado
Lutava por escapar.



Cabisbaixo e dolorido
Decidiu, o viralatas,
Que brincar com a garotada
Não iria nunca mais,
Pois em toda brincadeira
Que se atrevera a entrar
Todo mundo se alegrava
E ria despreocupado,
Só ele é que não entendia
Onde estava, nisso, a graça
Que doído ele saía.

Já fizera um escarcéu
Naquela lata de lixo
E fora expulso da rua;
Correra atrás da latinha
E tivera a cauda a sangrar;
Sem falar no baita susto
Por causa da tal bombinha.
Todo doído e faminto,
Esquecer as brincadeiras
E tratar logo do almoço
Decide o alegre cãozinho.

Uma hora uma pedrada
Outra hora o “sai pra lá”,
E assim transcorria a vida
Daquele cão solitário
Que, apesar do que sofria,
Achava a vida alegre,
E valia ser vivida,
Pois sempre achava comida,
Sempre matara sua sede,
E um canto qualquer lhe servia
À noite, como guarida.

Olhar aceso e matreiro,
Uma lição de otimismo
Era a lida do cãozinho,
Uma verdadeira criança
A espalhar confiança
Na vida que se apresenta,
Sabendo quando esquecer
Os maltratos recebidos,
E também perdoar,
Mostrando que o amor
É o sentimento maior.



Que no amor se engloba a dor,
A alegria e a confiança,
A lembrança e o perdão,
E é, sobretudo, no amor
Que se alimenta a esperança,
A chama que nos faz crer
Que dias melhores virão,
Pois viver sem esperança,
Sem sonhos, sem amor,
É só passar pela vida
Sem realmente viver!

Essa era a filosofia
De um cão, errante e vadio,
E era bem superior
À de muita gente bem,
Que só reclama da vida
E constantemente se esquece:
De tudo que se recebe
Logo, o bem é esquecido
Só o mal é que é lembrado.
Justamente o contrário
Do que demonstrava o cãozinho.

Mas um dia, distraído,
O pobre viralatas
Ao fugir de uma pedrada,
Nas rodas de um caminhão
O seu fim ele encontrou.
Ninguém sentiu sua agonia,
Ao contrário, reclamavam
Do transtorno que causava
O animal ali no asfalto
Obrigando a desviar
Todo o trânsito da rua.

Mas o que ninguém sabia
É que o pobre animalzinho
Assustado com o alvoroço
Ali, no meio da rua,
Ainda assim não se queixava
Do triste fim que avizinhava;
Não chorava suas dores,
Não reclamava da vida,
Nem se assustava com a morte.
Até esquecera as pedradas
E a todos perdoava.



Mas o que naquela hora
O viralatas mais sentia
Era a falta de um amigo
Que lhe coçasse a cabeça,
Que lhe fizesse um afago,
Que o levasse pra bem perto
Da molecada da rua,
Que o cãozinho não queria
Ser estorvo pra ninguém,
Mormente naquela hora
Em que ele se despedia...

O que mais me comoveu
Foi ver o animalzinho
Que a vida só maltratou,
Sentindo a morte chegar,
Pra demonstrar que ainda amava
Ao mundo que o rejeitou,
Em um esforço supremo
Apesar do que sentia,
Sua cauda ele abanou
E assim permaneceu
Até que a morte o levou...

Sei que nunca fui poeta,
Muito menos escritor,
Mas pra contar essa história
Desse cão que conheci,
___ Tinha o corpo todo branco,
tinha o rabinho cotó,
na cabeça a mancha escura
que lhe cobria as orelhas___
Minha gente eu me arrisquei
A passar qualquer vexame
Pra deixar aqui gravada
A história do “Totó” !


Alberto Sergio C. Pierro

APML – Cadeira No. 08